Povo brasileiro protagoniza a festa com Dulce, a Santa dos Pobres

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24 de outubro de 2019

Um dia ensolarado e de céu azul coroou a festa preparada pela Arquidiocese de Salvador para celebrar a agora Santa Dulce dos Pobres. Um público de quase 53 mil pessoas se reuniu no domingo, 20, na Arena Fonte Nova, na capital baiana, para a primeira missa oficial em solo brasileiro em honra à mais nova Santa.
A homenagem teve quase cinco horas de duração e contou com shows musicais, danças, encenações, procissões e a missa de encerramento, presidida por Dom Murilo Krieger, Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil. 
Um total de 30 arcebispos e bispos concelebrou a missa, entre eles o Cardeal Orani Tempesta, Arcebispo do Rio de Janeiro, e Dom Joel Portella Amado, Secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Também foram concelebrantes 620 padres, e participaram inúmeros diáconos, seminaristas e vocacionados de dioceses de todo o Brasil. 
Entre os que concelebraram estava o Padre Bernard de Villanfray, 63, francês da Diocese de Marseille, há 16 anos no Brasil. Durante seis deles, esteve à frente de uma paróquia em Alagados, Salvador, e hoje é responsável pelo Foyer de Charité, uma casa de retiros em Mendes, no Rio de Janeiro. 
“Santa Dulce dos Pobres é a santa das ruas, é aquela que se mistura ao povo, que o conhece, entende suas necessidades e se dispõe a ajudá-lo por meio da caridade concreta. Somente os brasileiros são capazes de fazer uma festa tão linda”, afirmou.

PROGRAMAÇÃO
Um vídeo que retrata os fatos mais importantes acerca da biografia de Irmã Dulce deu início à homenagem. Em seguida, houve as apresentações das bandas católicas Missão Paráclito, Divina Face, Ministério Ignes e Recomeçar e da cantora Patrícia Ribeiro.
“Império do Amor”, espetáculo a respeito da vida e obra de Santa Dulce dos Pobres, veio a seguir e emocionou o público. Encenado por mais de 600 crianças e colaboradores das Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), trouxe ainda ao palco o Padre Antônio Maria, além dos artistas Saulo e Tuca Fernandes e dos cantores Margareth Menezes e Waldonys. 

EMOÇÃO
As procissões que aconteceram em seguida foram um símbolo da emoção que tomou conta do público. A primeira delas foi com a relíquia de Irmã Dulce, conduzida por José Maurício Bragança Moreira, o miraculado com o segundo milagre, responsável por elevá-la definitivamente aos altares. As demais procissões trouxeram as imagens de Santo Antônio, santo de devoção de Irmã Dulce, a de Nossa Senhora da Conceição da Praia, padroeira da Bahia, e a do Senhor Bom Jesus do Bonfim, muito popular entre o povo baiano. 
José Maurício, 50, é músico e maestro, casado e natural de Salvador, embora hoje more em Recife (PE). Cego por 14 anos, ele recuperou a visão em 2014 após colocar uma imagem de Irmã Dulce sobre os olhos e suplicar para que cessassem as dores que sentia. No dia seguinte, foi progressivamente voltando a enxergar e os médicos não encontraram explicação para a cura. 
“O sentimento é de que é uma grande honra ter sido instrumento e também sentimento de gratidão. É uma honra divina, uma honra que eu quero levar ao céu e entregar a Santa Dulce. Eu sou muito grato a ela pelo que fez comigo. Voltar a enxergar depois de 14 anos é algo que eu não sei nem mensurar, nem dizer a alegria que eu sinto em palavras. É uma emoção fora do comum. Nunca vivi uma emoção tão grande como a que estou vivendo agora. O coração palpita dentro do peito, as pernas tremem”, disse.
Além do miraculado José Maurício, a outra agraciada com um milagre de Santa Dulce, Cláudia Araújo, 50, participou do cortejo ao lado do filho Gabriel, 18, que estava bastante emocionado. Ela sofreu uma hemorragia durante o parto dele e, mesmo após 18 horas e três cirurgias, nada conseguia conter o sangramento. Contudo, sem nenhuma intervenção médica e após pedir a intercessão de Irmã Dulce, a hemorragia subitamente parou e a paciente se recuperou. 

TESTEMUNHO
Cada fiel presente na Arena Fonte Nova tem a sua história de fé com a nova Santa. Gilneide Costa, 35, relações-públicas e paroquiana da Paróquia Nossa Senhora das Dores de Lobato, em Salvador, é uma das devotas de Dulce dos Pobres. 
Ela conta que é paciente do Hospital Santo Antônio há cerca de 20 anos. “Aquele hospital é um milagre! Ao conhecer a história de Dulce por meio de seu memorial e perceber o quanto ela lutou e conquistou em favor das pessoas, sempre soube que era uma santa, porém não podia venerá-la. Irmã Dulce foi uma verdadeira mãe a muitos órfãos e abandonados. É obrigação de todos manter aquela instituição funcionando. Minha grande alegria agora é poder cultuá-la como santa”, conclui. 

CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA
Dom Murilo Krieger demonstrou toda a sua alegria por aquele momento único na história da Igreja no Brasil, e destacou a trajetória que levou Dulce à santidade. Em sua homilia, dirigiu-se a Santa Dulce como quem lhe escreve uma carta: 
“[...] Hoje, pois, só poderíamos mesmo estar muito alegres. E quem é a causa de toda essa alegria e emoção? É a senhora, Santa Dulce dos Pobres – a senhora, que agora é irmã não apenas dos soteropolitanos e baianos, mas, a partir do histórico dia 13 de outubro de 2019, é, também, uma irmã universal. É por isso que estamos aqui, na Arena Fonte Nova. Quando a senhora poderia ter imaginado que um dia, numa tarde de domingo, uma multidão se reuniria por sua causa, num estádio de futebol? Futebol, aliás, que a senhora tanto apreciou em seus tempos de adolescente – que o digam o Ypiranga e o jogador Popó!
Permita-me que eu me corrija: não é bem verdade que estamos aqui por sua causa. Há uma causa maior que nos traz aqui: a Santíssima Trindade, fonte de toda santidade, fonte de sua santidade. Aqui estamos para louvar e agradecer ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo pelo dom que nos concedeu, com a canonização que o Brasil acompanhou. Sua fidelidade a Jesus, sua confiança na Providência Divina e seu amor aos pobres e enfermos, aos menores abandonados e às crianças desprotegidas a tornaram conhecida e amada ainda em vida. Estamos aqui, pois, por causa do efeito da ação do Espírito Santo em seu coração; estamos aqui porque a senhora colaborou com a graça divina e se tornou uma discípula de Jesus Cristo. [...]”

ENCERRAMENTO
Quem achava que, após a Celebração Eucarística, não haveria mais nenhum momento emocionante, enganou-se. Os fiéis foram convidados a permanecer e, em seguida, a imagem da Santa Dulce dos Pobres foi conduzida pela Arena Fonte Nova. Nesse momento, as luzes de se apagaram e os fiéis foram convidados a acender as lanternas dos celulares. 
O povo brasileiro foi protagonista de uma grande festa para celebrar a graça recebida pelo legado que a Santa dos Pobres representa. Com sua presença, que Dulce não seja somente alguém para ser eternamente lembrada, mas alguém para ser constantemente imitada na concretude do bem no dia a dia dos menos favorecidos. 

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‘Testemunho de uma Igreja que sofre’

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05 de junho de 2019

O Paquistão é um país com quase 200 milhões de habitantes, sendo 95% muçulmanos. Os cristãos somam somente 2% da população. Nesta minoria, encontra-se o Arcebispo de Karachi, o Cardeal Joseph Coutts, que visitou o Brasil pela primeira vez, a convite da ACN, e participou da Assembleia Geral da CNBB. O Cardeal Coutts concedeu esta entrevista na sede da ACN Brasil, em São Paulo, e apresentou a realidade dos cristãos no Paquistão, abordando aspectos sobre preconceito e discriminação religiosa.

QUAL A REALIDADE DOS CATÓLICOS NO PAQUISTÃO?
De acordo com a Constituição, a liberdade religiosa é reconhecida, embora os altos cargos do Estado não sejam acessíveis às minorias religiosas no Paquistão. Nos últimos anos, porém, tem havido muitas mudanças na sociedade, e nós, católicos, somos chamados a ser testemunhas de uma Igreja que sofre.

O PAQUISTÃO FICOU MAIS INTOLERANTE ENTÃO?
Não o país, mas uma minoria extremista que deseja um estado muçulmano. Infelizmente, grupos islâmicos começaram a se fortalecer e pressionar os governos a introduzir leis islâmicas. Uma dessas leis, a Lei da Blasfêmia, introduzida em 1986, acabou se tornando um problema para os cristãos. De acordo com a lei, qualquer um que fale contra o Profeta Maomé ou manche seu nome por escrito ou de qualquer outra forma, deve ser sentenciado a morte. Essa lei também diz que se alguém corromper o Alcorão, deve ser condenado à prisão perpétua. Mesmo que o Corão caia acidentalmente das mãos, isso pode ser considerado uma profanação. O problema da Lei da Blasfêmia é a sua má interpretação. Até os muçulmanos moderados sofrem com acusações sobre blasfêmia. Embora esta lei tenha a intenção de proteger a honra do Profeta Maomé e do Livro Sagrado, ela pode ser facilmente usada de maneira imprópria. É muito fácil para um muçulmano acusar alguém de blasfêmia. Em muitos casos, trata-se de uma acusação infundada, mas o acusador usa a Lei da Blasfêmia como meio de vingança pessoal. Recentemente, tivemos o caso de Asia Bibi, uma pobre cristã condenada à morte por blasfêmia, que finalmente foi absolvida. 

EXISTEM MUITAS ACUSAÇÕES PELA LEI DA BLASFÊMIA?
O caso de Asia Bibi foi apenas o mais famoso, porém há muitos outros. Eu me lembro do massacre de Gojra, em 2009, quando crianças fizeram confetes com páginas de jornais que continham versos do Alcorão. Por causa disso, uma multidão irada atacou um bairro cristão e incendiou cerca de cem casas. Oito pessoas perderam a vida nas chamas. Também houve outros ataques semelhantes, por exemplo, em Lahore, em 2013. Várias pessoas foram espancadas até a morte sem que pudessem provar sua inocência. Mesmo que um tribunal declare uma pessoa inocente, o acusador tentará matá-la. Em um desses casos, um juiz muçulmano foi morto em seu escritório porque havia declarado um cristão inocente ao término de um processo.

QUAIS OUTRAS DIFICULDADES OS CRISTÃOS ENFRENTAM?
Outro problema que o governo é incapaz de impedir é o sequestro e conversão forçada ao Islã de meninas cristãs e hindus que são obrigadas a se casar com seus captores. Não há números oficiais a esse respeito, porém se acredita que todos os anos muitas meninas são arrancadas de suas famílias e forçadas a se converter.

ESSA DISCRIMINAÇÃO GERA O AUMENTO DO EXTREMISMO?
A discriminação alimenta uma sociedade cada vez mais intolerante e preconceituosa. Os extremistas enxergam o Ocidente como cristão, e esse pensamento radical do Islã não acredita na democracia, que é vista como um conceito ocidental. Eles querem que o Paquistão se torne um estado puramente islâmico e não hesitam em usar homens-bomba para atacar e matar quem quiserem. Eles representam uma ameaça real para os cristãos, pois nos consideram infiéis.

HÁ SINAIS DE ESPERANÇA?
Sempre haverá sinais de esperança quando se tem fé. Somos uma pequena minoria, mas isso não significa que somos ocultos ou silenciosos. Em nossas igrejas, escolas e instituições cristãs, realizamos um trabalho muito importante, também reconhecido por muitos muçulmanos. Tudo isso graças ao auxílio de muitas pessoas ao redor do mundo, que nos apoiam com ajuda econômica, jurídica e espiritual, por meio de orações.

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Papa: clericalismo é uma perversão da Igreja

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14 de agosto de 2018

“O clericalismo é uma perversão na Igreja”.  O Papa Francisco foi incisivo ao responder aos questionamentos propostos por Dario, de 27 anos, enfermeiro em curas paliativas, alguém “que dá testemunho todos os dias com os doentes”.

Diante de 50 mil jovens italianos presentes no Circo Máximo no último sábado, quatro deles fizeram perguntas ao Papa falando com sinceridade, como lhe agrada. Dario revelou ter dificuldades em entender “como um Deus grande e bom” permite o sofrimento de crianças, dos pobres, dos marginalizados. Ademais, considera que a Igreja, mensageira da Palavra de Deus, parece “sempre mais distante com seus rituais”. Os frequentes escândalos a tornam pouco crível. Os jovens têm necessidade de testemunho, de serem ouvidos e acompanhados, disse ele.

“Dario pôs o dedo na chaga e repetiu mais de uma vez a palavra «por que», começou dizendo Francisco, afirmando que para muitas situações, encontraremos resposta somente “olhando para Cristo crucificado e para sua Mãe”.

 

Testemunho

Quanto às suas observações em relação à Igreja, o Papa diz escutar “com respeito”, “é um juízo sobre todos nós”, de modo especial “para nós pastores”, “os consagrados, as consagradas”. “Nem sempre é assim, mas às vezes é verdadeiro”, ponderou, acrescentando que para ser capaz de dar uma resposta positiva às expectativas daqueles que esperam um testemunho autêntico,  serem acompanhados e ouvidos, é preciso que  “o cristão, seja um fiel leigo, um sacerdote, uma irmã, um bispo”, aprenda “a escutar o sofrimento, a escutar os problemas, a estar em silêncio e deixar falar e ouvir”:

Por esse motivo se dizia a respeito dos primeiros cristãos: “Vejam como se amam!”, “porque as pessoas viam o seu testemunho. Sabiam escutar, e depois viviam segundo o Evangelho".

“Ser cristão, não é um status de vida, um status qualificado”, diz o Papa, chamando a atenção pra o tipo de oração: «Te agradeço Senhor, porque sou cristão e não sou como os outros que não acreditam em Ti», que é “a oração do fariseu, do hipócrita. Assim rezam os hipócritas”.

“Mas pobre gente, não entendem nada. Não foram à catequese, não estudaram em um colégio católico, não estudaram em uma universidade católica”. “Isto é cristão?”, pergunta Francisco.

“Isto escandaliza, isto é pecado. «Te agradeço Senhor, porque não sou como os outros. Vou à Missa aos domingos, eu faço isso, tenho uma vida ordenada, me confesso, não sou como os outros» Isso é cristão?”, questiona. “Não. Devemos escolher o testemunho”, começar a viver como cristãos, então despertaremos a curiosidade que nos perguntarão por que vivemos assim.

 

Escândalos

Enquanto Dario expunha seus questionamentos, o Papa Francisco anotava, para respondê-los um a um. À pergunta sobre os fastos e os frequentes escândalos que tornam a Igreja pouco crível aos olhos dos jovens, Francisco disse:

“O escândalo de uma Igreja formal, não testemunha; o escândalo de uma Igreja fechada porque não sai. Ele – disse o Papa referindo-se a Dario – deve sair de si mesmo, quer esteja triste ou contente, mas deve sair para acariciar os doentes, para oferecer as curas paliativas que fazem com que seu trânsito para a eternidade seja menos doloroso. E ele sabe o que é sair de si mesmo, ir em direção aos outros, ir para além das fronteiras que me dão segurança.”

 

Clericalismo

E recorda a passagem em que Jesus diz: «Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo»:

Eu penso muitas vezes em Jesus que bate à porta, mas de dentro, para que o deixemos sair, porque nós, muitas vezes, sem testemunho, o mantemos prisioneiro das nossas formalidades, dos nossos fechamentos, dos nossos egoísmos, do nosso modo de viver clerical”.

“E o clericalismo, que não é só dos clérigos, é um comportamento que diz respeito a todos nós: o clericalismo é uma perversão da Igreja. ”

Jesus, pelo contrário – explica o Papa – nos ensina este caminho de saída de nós mesmos, o caminho do testemunho. E este é o escândalo – porque somos pecadores! – não sair de nós mesmos para testemunhar”.

Mas, se eu não sou capaz de sair de mim mesmo para dar testemunho, posso criticar “aquele padre, aquele bispo ou aquele cristão? (...) Posso dizer isto também a meu respeito? Eu dou testemunho?”, questiona.

 

"A Igreja sem testemunho – disse Francisco aos jovens - é somente fumaça".

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Protomártires do Brasil serão canonizados neste domingo pelo papa Francisco, na Basílica de São Pedro

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13 de outubro de 2017

O Arcebispo Metropolitano de Natal, dom Jaime Vieira Rocha, já está em Roma, para a canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, atual território da Arquidiocese de Natal (RN). Na cerimônia deste domingo (15), na Basílica de São Pedro, o papa Francisco vai canonizar os padres Ambrósio Francisco Ferro e André Soveral, o leigo Mateus Moreira e mais 27 companheiros que foram martirizados, no século XVII, por civis e soldados holandeses.

Os protomártires do Brasil foram os primeiros cristãos católicos assassinados em razão de sua fé no país. A canonização dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu é o coroamento de um longo processo histórico, religioso e cultural que teve início na década de 1970. Essa canonização é o mais importante fato histórico e religioso das primeiras décadas do século XXI no Rio Grande do Norte.

Segundo a Arquidiocese de Natal, mais de 400 potiguares estão em Roma para participar da celebração no domingo. Além disso, serão realizadas outras duas celebrações em Roma. No sábado (14), serão celebradas as Vésperas Solenes na capela do Pontifício Colégio Pio Brasileiro e no dia 16, no altar da Cátedra de São Pedro, na Basílica Vaticana, será celebrada missa em ação de graças, presidida pelo arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Dom Sérgio da Rocha.

Os padres André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, Mateus Moreira e 27 companheiros leigos foram beatificados pelo Papa João Paulo II, no dia 5 de março de 2000, na Praça de São Pedro. Agora, serão os primeiros santos mártires do Brasil.

A festa litúrgica dos protomártires do Brasil é celebrada pela Igreja, no dia 3 de outubro, data do martírio, em Uruaçu. Desde 2007, então, o dia 3 de outubro tornou-se feriado, no estado do Rio Grande do Norte.

A Assessora de imprensa da Arquidiocese de Natal (RN), Cacilda Medeiros, está em Roma para acompanhar a cerimônia e traz um relato especial da expectativa para a celebração. Acompanhe as novidades por meio das redes socais da Arquidiocese de Natal.

História

Em 16 de julho de 1645, o padre André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama (RN).

Em 3 de outubro de 1645, três meses depois, houve o massacre de Uruaçú. Padre Ambrósio Francisco Ferro foi torturado e o camponês Mateus Moreira, morto. Os invasores calvinistas não admitiam a prática da religião católica. No local do massacre foi erguido o ‘Monumento dos Mártires’.

“Esses mártires, para a nossa Igreja e o Brasil, são uma mensagem perene de convicção de vivência da fé, e sobretudo num mundo tão adverso onde a secularização vai grassando todas as instâncias da sociedade sobretudo a vida humana, é um momento em que nós nos voltamos para valores mais altos, é uma mensagem muito eloquente de valores mais altos, valores eternos, o sangue derramado pelo nome de Cristo, pela Igreja e para a glória de Deus, então é uma benção muito grande para todos nós”, declarou o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha.

Patrono dos Ministros

Em 2005, durante a 43ª Assembléia Geral dos Bispos do Brasil, realizada em Itaici (SP), os bispos aprovaram o Bem aventurado Mateus Moreira como “Patrono dos Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística”. Em dezembro do mesmo ano, a CNBB comunicou que a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, da Santa Sé, havia aprovado o nome do Beato como patrono dos Ministros.

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Francisco propõe o ‘Manual do Missionário’

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27 de mai de 2017

Um pequeno “manual do missionário”: foi o que propôs o Papa Francisco ao concluir sua série de audiências na manhã da sexta-feira, 26, recebendo as Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade, reunidas em Roma para seu 12º Capítulo Geral.

O Instituto, da família orionita, tem como carisma desenvolver um amplo apostolado junto aos mais pobres da sociedade e tem uma natureza missionária. E foi justamente a esta característica que o Papa dedicou o seu discurso. O método missionário, afirmou, deve ser marcado pela proximidade, pelo encontro, pelo diálogo e pelo acompanhamento.

Audácia e criatividade

“A missão e o serviço aos pobres as coloca ‘em saída’ e as ajudará a superar os riscos da autorreferencialidade, do limitar-se a sobreviver e da rigidez autodefensiva”, destacou Francisco. Ao missionário, acrescentou, pede-se que seja uma pessoa audaz e criativa.

“Não vale o cômodo critério do ‘sempre se fez assim’. Repensem os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos da missão. Estamos vivendo num tempo em que é necessário repensar tudo à luz daquilo que o Espírito nos pede”, aconselhou.

Liberdade e simplicidade

O missionário, prosseguiu o Papa, deve ser também uma pessoa livre, que vive sem nada de sua propriedade. “Não me canso de repetir que a comodidade, a preguiça e a mundanidade são forças que impedem o missionário de ‘sair’, de ‘partir’ e de se colocar em caminho e de compartilhar o dom do Evangelho. O missionário não pode colocar-se em caminho com o coração repleto de coisas (comodidade), com o coração vazio (preguiça) ou em busca de coisas alheias à glória de Deus (mundanidade). O missionário é uma pessoa livre de lastros e correntes; uma pessoa que vive sem nada de sua propriedade; somente para o Senhor e o seu Evangelho; uma pessoa que vive num caminho constante de conversão pessoal e trabalha sem cessar para a conversão pastoral”.

Espiritualidade holística e profeta da misericórdia

Outra característica do missionário é ser uma pessoa habitada pelo Espírito Santo e que tenha uma espiritualidade fundada em Cristo, na Palavra de Deus e na liturgia. Uma espiritualidade “holística”, que envolva toda a pessoa nas suas várias dimensões. Por fim, o missionário deve ser um profeta da misericórdia, isto é, pessoa centralizada em Deus e nos crucifixos deste mundo. “Deixem-se provocar pelo clamor de tantas situações de dor e de sofrimento. Como profetas da misericórdia, anunciem o perdão e o abraço do Pai”.

O Papa Francisco concluiu seu discurso propondo o ícone da Visitação: “Assim com a Virgem Maria, coloquem-se em caminho, com pressa – não a pressa do mundo, mas a pressa de Deus – e repletas da alegria que habita em seu coração cantem o magnificat. Cantem o amor de Deus por cada criatura. Anunciem aos homens e às mulheres de hoje que Deus é amor”.

As Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade estão presentes em várias cidades do Brasil, reunidas na Província Nossa Senhora Aparecida.

 

Fonte: rádio Vaticano

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